Quando existe método, compreensão e intenção, o projeto torna-se uma forma de traduzir identidade em ambiente: apoiar rotinas, criar conforto, orientar sensações e dar coerência ao modo de viver. Em projetos residenciais, esta relação é direta. Em espaços como um alojamento local, o desafio é ainda mais exigente: é preciso criar zonas com estas características, sem perder funcionalidade e adaptabilidade. Este projeto, no Porto, é um exemplo dessa abordagem.
Quando o espaço acompanha as pessoas
A artista conhecida por peças experimentais e abstratas, queria que esta habitação fosse uma extensão do seu próprio processo criativo.
Existia uma intenção clara: criar um espaço que pudesse ser partilhado com outras pessoas, sendo convidadas para um ambiente diferente, expressivo e confortável.
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O ponto de partida
O conceito inicial apontava para uma visão mid-century. Mas, ao longo do processo, com diálogo constante e afinação de referências, a direção foi-se desconstruindo até chegar a uma estética mais sensorial, expressiva e apelativa.
Nos projetos Interior Guider, o objetivo não é encaixar a pessoa num estilo. É usar o estilo como consequência de um diagnóstico: perceber preferências, limites, desejos e linguagem visual. Quando isso acontece, o projeto ganha clareza.
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As marcas utilizadas
Com especial interesse em valorizar o local deste alojamento local, houve um cuidado intencional na seleção de marcas portuguesas e na utilização de materiais locais.
A paleta foi construída a partir de tons que a cliente aprecia, laranja, rosa e verde, aplicados sobretudo no mobiliário e nos elementos decorativos. A mesa de jantar em rosa empoeirado, os candeeiros num laranja vibrante e o sofá num azul hipnotizante foram pensados para apresentar um aspecto robusto, resistente e “blocky”, com uma presença firmemente assumida no espaço.
Os padrões ficam reservados para pequenos detalhes, como complemento e não como ruído.
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Foram desenhadas algumas peças de mobiliário sempre com a ideia de jogo de formas em mente. As estantes, que surgem em diversos espaços da casa, refletem essa intenção. Somos confrontados com esse gesto logo à entrada: um biombo, uma divisória que se apresenta como uma brincadeira de níveis e plataformas, antecipando o diálogo entre formas que se desenrola no resto da casa.
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Saiba mais sobre o método psicoestético desenvolvido pelo Interior Guider.
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Créditos
Créditos Designer de interiores: Joana Guerra – Interior Guider
Cliente e cocriadora: Molly Larkey
Fotografia: Pedro Mendes
Localização: Porto

